MALTHUS E A ESPLOSÃO DEMOGRAFICA
               O salto nos números da população mundial deu ensejo a temores diversos e a especulações teóricas. O economista inglês Robert Malthus (1766-1834), por exemplo, afirmou que a população aumenta em progressão geométrica, e os meios de subsistência, em progressão aritmética. O progresso da ciência, no entanto desmentiu a teoria malthusiana, Malthus disse também que o descompasso entre a oferta de alimentos e o crescimento da população resultaria em fome, epidemias, guerras e outras catástrofes. E, para evitar essas tragédias, propôs o controle de natalidade entre as populações pobres, a proibição do casamento entre pessoas jovens e a redução dos salários para inibir os casais de terem prole numerosa.
                O crescimento da população foi acompanhado também por outro processo importante: o deslocamento da população do campo para a cidade. A urbanização ganhou um ritmo jamais visto. Segundo o Historiador Eric Hobsbawm.
               Em 1750 só existiam duas cidades na Grã-Bretanha com mais de 50.000 habitantes – Londres e Edimburgo; em 1801 já havia oito e em 1851, 29, inclusive com mais 100.000 habitantes.  Nessa época havia mais britânicos morando em cidades do que no campo [...]
               Juntamente com as cidades cresciam também os problemas urbanos: a sujeira nas ruas, a alta de água, de esgotos sanitários, de praças... tudo isso facilitava a ocorrência de doenças, febre tifóide e a cólera, que atingiam, sobretudo os mai pobres.
               Vindos em sua maioria do campo, os operários enfrentavam longas jornadas de trabalho em troca de salário que mal davam para sobreviver; alem disso, tinham de se adaptar á um novo modo de trabalho, que exigia regularidade disciplina e obediência cega ao relógio. Se reagissem a ele, recebiam multas e ameaças de prisão por quebra de contrato.
               Na Grã-Bretanha da década de 1830, havia um grande número de pobres e indigentes. Para reprimi-los o governo baixou em 1834 a Lei dos pobres a centros de trabalho, semelhantes a uma penitenciaria; lá os maridos eram separados das esposas e desencorajados a ter filhos. Em troca de comida, homens e mulheres eram submetidos a uma rotina de trabalho extenuante.
               Mas a operariado reagiu a essas condições de vida degradante, formando associações, sindicatos e organizando greves para lutar por seus direitos.

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