ESCOLA ESTADUAL PAULO KOBAYASHI
Curso: Ensino Médio
Disciplina: Filosofia; Turmas A – B – C – D;
Professor: Idemar Noronha;

UMA NOVA ORDEM HUMANA

               Alguns autores chamaram de “milagre grego” a passagem mítica para o pensamento critico racional e filosófico, dando destaque para o caráter repentino e único desse processo. Outros estudiosos, porem, criticam essa visão simplista e afirmaram que a filosofia na Grécia não foi fruto de um salto, do “milagre” realizado por um povo privilegiado, mas é a culminação do processo gestado ao longo do tempo.
               No período arcaico (século VIII ao VI a.C.), a Grécia sofreu transformações muito especificas nas relações sociais e políticas, proporcionando a lenta passagem do mito para a reflexão mais racionalizada.
               A nova visão do mundo e do individuo que então se esboçava resultou de inúmeros fatores.
a – A redescoberta da escrita;
               Na Grécia, a escrita já existia no período micênico, mas desapareceu no século XII a.C., para ressurgir apenas entre os séculos IX e VIII a.C., por influencia dos fenícios. A escrita fixa a palavra para além de quem a proferiu, o que exige maior rigor e clareza, e estimula o pensamento critico. Desse modo, a Escrita traz a possibilidade maior de abstração, de uma reflexão aprimorada.
b- A moeda;
               Com o desenvolvimento do comércio marítimo, o mundo grego se expandiu com a colonização da Magna Grécia (atual Sul Itália e Sicília) e da Jônia (hoje litoral da Turquia). A moeda veio facilitar os negócios e impulsionar o comércio, enriquecendo os comerciantes, o que acelerou a substituição de valores aristocráticos por valores da nova classe em ascensão.
               Além desse efeito político de democratização de um valor, a moeda sobrepunha aos símbolos sagrados o caráter racional de sua concepção: a moeda é uma convenção humana, noção abstrata de valor que estabelece a medida comum entre valores diferentes.
C – A lei escrita;
               Legisladores como Dracon, Sólon e Clistenes sinalizaram uma nova era, porque, até então, a justiça dependia da interpretação da vontade divina ou da arbitrariedade dos reis. Com a lei escrita, a norma se tornava comum a todos e sujeita à discussão e à modificação.
               Os que compõem a cidade, por mais diferentes que sejam por sua origem, sua função, aparecem de uma certa maneira “semelhante” uns aos outros. Esta semelhança cria a unidade da polis [...] O vinculo do homem com o homem vai tomar assim, no esquema da cidade, a forma de uma relação recíproca, reversível, substituindo as relações hierárquica de submissão e domínio.

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