ESCOLA ESTADUAL PAULO KOBAYASHI
Curso: Ensino Médio;
Disciplina: Filosofia;
Professor: Idemar Noronha;
Turmas: A – B – C – D;

D – O cidadão da pólis;
               O nascimento da polis. Por volta dos séculos VIII e VII a.C., foi um acontecimento decisivo. A sua originalidade está no fato de ter como centro a agora (praça pública), espaço onde eram debatidos os problemas de interesses comuns. Elaborava-se desse modo o novo ideal de justiça, pelo qual todo cidadão tinha o direito ao poder. A noção de justiça assumia caráter político, e não apenas moral, ou seja, não dizia respeito apenas ao individuo e aos interesses da tradição familiar, mas à sua atuação na comunidade.
               Assim ficava garantida a isonomia – a igualdade perante a lei – do mesmo modo que a isegoria, a igualdade do direito da palavra na assembléia. De fato, a polis se fez pela autonomia da palavra, não mais a palavra mágica dos mitos, palavra dada pelos deuses e, portanto, comum a todos, mas a palavra humana do conflito, da discussão, da argumentação.
               Expressar-se por meio do debate fez nascer a política, que permite ao individuo tecer seu destino na praça publica. Da instauração da ordem humana surgiu o cidadão da polis, figura inexistente no mundo da comunidade tribal e das aristocracias rurais.
e) A consolidação da democracia;
               O apogeu da democracia ateniense acorreu no século V a.C., quando Péricles governava. Os cidadãos livres, fossem ricos, fossem pobres, tinham acesso à assembléia. Trava-se da democracia direta, em que não eram escolhidos representantes, mas cada cidadão participava ele mesmo das decisões de interesse comum.
               È bom ressaltar, porém, que a maior parte da população se achava excluída do processo político, tais como os escravos, as mulheres e os estrangeiros (metecos), mesmo que estes fossem prósperos comerciantes. Apesar disso, o que vale enfatizar é a mutação do ideal político e uma concentração inovadora de poder, a democracia.
               É difícil fazer um calculo demográfico de Atenas, mas no decorrer do século V a.C., a população variou entre 250 mil e meio milhão de habitantes, dos quais a maioria era constituída por escravos. Excluídos os estrangeiros, as mulheres e as crianças, restavam apenas entre 10 a 14% de cidadãos propriamente ditos capacitados para participar das discussões na agora e decidir por todos.
Segundo Vernant: A importância da política na Grécia antiga; É o plano político que é a razão, e formou-se na Grécia, primeiramente se exprimiu, constituiu-se. A experiência social pode tornar-se entre os gregos o objeto de uma reflexão positiva, porque se prestava, na cidade, a um debate público de argumentos. O declínio do mito data do dia em que os primeiros sábios puseram em discussão a ordem humana, procuram defini-la em si mesma, traduzi-la em fórmulas acessíveis à sua inteligência, aplicar-lhe a norma do número e da medida. Assim se destacou e se definiu um pensamento propriamente político, exterior à religião, com seu vocabulário, seus conceitos, seus princípios, suas vistas teóricas. [...] A razão grega é a que de maneira positiva, refletida, metódica, permite agir sobre os homens, não transformar a natureza. Dentro de seus limites como em suas inovações, é filha da cidade. 
      

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